Impostos: Brasil × Mundo
Herança, venda de imóvel, imposto de renda e carga total: veja quanto você pagaria no Brasil e no Japão, França, EUA, Portugal e outros — com o seu valor e as alíquotas de 2026.
| País | Imposto | Alíquota efetiva | Comparado ao Brasil |
|---|
Bom para aquela conversa em que alguém diz que aqui é o pior lugar do mundo para pagar imposto. 🌍
As regras de cada país
| País | Como funciona | Conferido |
|---|
Carga tributária total (% do PIB)
Este é o número que responde de forma mais direta à frase "aqui se paga mais imposto que em qualquer lugar". Ele soma tudo o que os governos arrecadam e divide pelo tamanho da economia.
| País | % do PIB | |
|---|---|---|
| 🇫🇷 França | 45,6% | |
| 🇩🇪 Alemanha | 39,3% | |
| 🇪🇸 Espanha | 37,3% | |
| 🇵🇹 Portugal | 36,4% | |
| 🇬🇧 Reino Unido | 35,3% | |
| 🌍 Média da OCDE | 34,1% | referência internacional |
| 🇯🇵 Japão | 34,1% | |
| 🇧🇷 Brasil | 32,4% | recorde da série histórica, em 2025 |
| 🇦🇷 Argentina | 29,1% | |
| 🇺🇸 Estados Unidos | 25,2% |
Fonte: Receita Federal (prévia da carga tributária de 2025) e OCDE Revenue Statistics.
Alíquota máxima do imposto de renda
Aqui o Brasil tem a menor alíquota máxima da lista — mas com uma ressalva que muda tudo: ela começa muito cedo. Quem ganha R$ 4.664 por mês já cai na faixa de 27,5%; na Alemanha, os 45% só chegam depois de cerca de € 280 mil por ano.
| País | Alíquota máxima | |
|---|---|---|
| 🇯🇵 Japão | 55,9% | nacional + local |
| 🇫🇷 França | 55,4% | com contribuições sociais |
| 🇵🇹 Portugal | 48,0% | acima de ~€ 83 mil por ano |
| 🇪🇸 Espanha | 47,0% | estatal + autonômico |
| 🇩🇪 Alemanha | 45,0% | mais imposto de solidariedade |
| 🇬🇧 Reino Unido | 45,0% | acima de £ 125 mil por ano |
| 🇺🇸 Estados Unidos | 37,0% | federal, fora o estadual |
| 🇦🇷 Argentina | 35,0% | |
| 🇧🇷 Brasil | 27,5% | mas já vale a partir de R$ 4.664 por mês |
Fonte: OCDE e Tax Foundation, alíquotas máximas de 2026. Calcule o seu na calculadora de salário líquido.
A resposta honesta: depende de quanto
"Imposto no Brasil é o maior do mundo" é uma frase que se repete em toda mesa de bar. Testamos com os números oficiais e a resposta não cabe em um lado só — o que a torna bem mais interessante.
Numa herança de R$ 500 mil, o Brasil é o país mais caro da lista. Não por pouco: somos praticamente os únicos que cobram alguma coisa. Alemanha, Reino Unido, Japão, França, Estados Unidos e Portugal cobram zero, porque todos têm isenções generosas para filhos — e o Brasil não tem nenhuma. Aqui o ITCMD morde desde o primeiro real.
Numa herança de R$ 10 milhões, a situação se inverte por completo. O Brasil cobra cerca de R$ 530 mil; o Reino Unido, mais de R$ 3 milhões — quase seis vezes mais. Japão e França passam de R$ 2,8 milhões. Nosso teto constitucional de 8% é uma fração dos 40% a 55% que se cobra lá fora.
O ponto onde a balança vira fica em torno de R$ 4,5 milhões. Abaixo disso, quem herda paga mais imposto aqui. Acima, paga muito menos. É um retrato preciso do nosso sistema: leve com o patrimônio grande, pesado com o pequeno.
E no total?
A carga tributária brasileira foi de 32,4% do PIB em 2025 — recorde da série histórica, e ainda assim abaixo da média da OCDE, de 34,1%. A França arrecada 45,6%; a Alemanha, 39,3%. Pela soma, portanto, a frase não se sustenta.
O que distingue o Brasil não é o tamanho da conta, e sim quem paga. Nos países ricos, a arrecadação vem principalmente de renda e patrimônio; aqui, de consumo e folha de pagamento. Como todo mundo paga o mesmo imposto embutido no arroz e na conta de luz, o peso relativo cai sobre quem ganha menos. A reforma tributária mexe justamente nessa peça.
Comparação educativa e simplificada, com as alíquotas de 2026 e câmbio de referência. Não considera tratados internacionais, regras estaduais ou autonômicas, planejamento sucessório nem situações específicas — e não é orientação tributária. Para decidir algo de verdade, procure um profissional.
Perguntas frequentes
O imposto no Brasil é o maior do mundo?
No total, não. A carga tributária brasileira foi de 32,4% do PIB em 2025, abaixo da média da OCDE, de 34,1%. A diferença está na composição: aqui o peso recai sobre consumo e folha de pagamento; nos países ricos, sobre renda e patrimônio. Na prática, isso faz o imposto brasileiro pesar mais no bolso de quem ganha menos.
Por que a herança no Brasil sai mais cara que na Europa?
Porque lá existem isenções altíssimas e aqui não existe nenhuma. A Alemanha isenta € 400 mil por filho, o Reino Unido £ 325 mil, os Estados Unidos US$ 15 milhões — o Brasil cobra desde o primeiro real. Em heranças de valor médio, somos dos poucos que cobram; em heranças milionárias, a situação se inverte e cobramos muito menos.
A partir de que valor o Brasil passa a ser mais barato?
Nas nossas contas, por volta de R$ 4,5 milhões de herança. Abaixo disso, a maioria dos países cobra menos que o Brasil (muitos cobram zero). Acima, o Brasil vira um dos mais baratos, porque nosso teto é 8% e o deles passa de 40%.
Esses números servem para planejar minha sucessão?
Não. A comparação é simplificada de propósito: considera um filho herdeiro residente, sem tratados internacionais, sem regras locais (nos EUA há imposto estadual; na Espanha cada comunidade tem a sua) e sem planejamento sucessório. Serve para dar ordem de grandeza. Decisão de verdade pede advogado e contador.